Umbigo de Eros

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21.1.13

Intimidade

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Ando matutando sobre intimidade, essa coisa boa que cresce de mansinho e dá uma liga diferente entre as gentes... Intimidade 
de verdade exige tempo, sobretudo tempo interno. Partes minúsculas da gente começam a se acostumar com algo, alguém ou alguma situação num processo muito lento, microscópico, até que um dia, quando menos esperamos, nos sentimos íntimos. E nos vemos relaxados, tranquilos, e somos nós mesmos, de verdade! Não é assim?

Para alcançar intimidade é preciso vencer a timidez. Ambas, de origem latina: timidez vem de TIMIDUS” “aquele que tem medo”, de timor, “medo”, e intimidade vem de INTIMUS, “interior, o que é de dentro”. É, intimidade dá medo sim, porque mexe com o de dentro, transforma! Exige que a gente se abra pro outro, esteja disponível e até vulnerável. Intimidade aproxima almas por isso é tão revolucionária, libertária, anárquica até. Nos faz fazer carinho sem motivo e em qualquer lugar, nos faz ficarmos nus sem nem lembrar que estamos nus, nos faz falar sem pensar numa autenticidade antes impensada... A intimidade burla a burocracia, gera liberdade interior e nos fortalece enquanto humanidade - ela desmancha totalmente a ilusão da separação entre as pessoas.

Pesquei no Google que “Em alguns relacionamentos, a intimidade está ligada ao sexo e sentimentos de afeto podem estar conectados ou serem confundidos com sentimentos sexuais. Em outros relacionamentos, a intimidade tem mais a ver com momentos divididos pelos indivíduos do que interações sexuais. De todo modo, intimidade é um ingrediente básico em qualquer relacionamento com algum significado: a base da amizade e uma das fundações do amor”. Tem a intimidade emocional, a física, a intelectual, a familiar, a cultural, que pode estar ligada a religião, espiritualidade, filosofia... Intimidade é remédio pra depressão, tristeza, melancolia... É alimento pro corpo e pra alma! Podemos ser íntimos de um lugar, um trabalho, um jogo, uma árvore, uma pessoa... E depois de parida, a intimidade pode seguir se transformando, ad infinitum, se a gente permitir, claro.

Eu sou bem tímida, aqui, no de dentro e demoro muito pra realmente me sentir íntima de alguém. Demorei pra perceber isso e passei anos atropelando esse meu lado “bicho do mato”. Já cheguei até a “forçar intimidade” como se fosse possível. Hoje acolho esse lado e me divirto observando a lentidão própria da coisa. Intimidade não combina com ansiedade. É preciso respeitar seu tempo. Talvez por isso ela ande meio escassa nos dias atuais. E como preconizou Jung, hoje a Velocidade é uma espécie de Deus que nos guia, o Zeitgeist de um tempo. Urge desacelerar e honrar outros deuses como a Paciência, a Lentidão, o Silêncio...

Passei um tempo bem carente de intimidade, sem saber. E passei outro tempo reconstruindo intimidades... Hoje intimidade é bússola: aponta minha conexão com o outro e com o mundo. Sem ela, ficamos sós, ilhados. Intimidade é uma cidade-sonho onde somos todos Um e, ao mesmo, Eu sou eu mesma!

Namastê

Anasha

2 palpites:

Leia Leal disse...

uau, que belíssimo texto! Me identifiquei muito...
A intimidade por vezes ou tantas vezes, assusta. A exposição do Eu para o nosso reflexo/espelho é bem difícil.
Adorei. Parabéns :)

Livia Penna Firme disse...

Muito lindo... falar de intimidade é tão difícil quanto conseguí-la.
Parabéns!