Umbigo de Eros

Te convido para sentar no sofá vermelho de Eros... Vamos escarafunchar os Umbigos!

       "A tarefa metafísica do homem consiste na contínua ampliação da consciência
       em geral, e seu destino como indivíduo, na criação da consciência individual. 
                                       É a consciência que dá significado ao mundo". 
                                                                                 Jung

Mas que diabos é isso? Calmaê, que talvez o texto se explique. Ou não.

Tive um surto transformador, o segundo de que nitidamente me lembro porque estava bem consciente. Assisti a um vídeo onde o cara falava das dores e doenças corporais como criações da própria mente. Até aí tudo bem, a psicossomática e outras tantas já tinham cantado a pedra. Mas o sujeito colocou como ponto nevrálgico da questão, a raiva, a raiva não expressa, ponto. Isso já mexeu comigo, uma raivosa de carteirinha!

Numa ordem de importância, ele coloca a raiva não expressa na infância como a mais relevante, seguida da raiva causada pelo nosso próprio auto-aporrinhamento mental (cobranças de perfeição, de sucesso, beleza, gozo etc, etc) e por último, o stress. Esse, em geral, considerado a principal causa das queixas físicas, mas segundo ele, a menos importante.

Enquanto eu ouvia o cara, a dor no meu braço direito, amiga quase que diária (proveniente de uma hérnia de discos na cervical que isso e aquilo), parecia aumentar... Essa minha mente super sugestionável, graçasaossdeuses, se abalou com a teoria. Moral da história: Foi me dando um trem, foram chegando umas memórias antigas, de fatos nada agradáveis da minha infância, e nos quais, eu senti raiva, muita raiva, mas segurei. A raiva foi me tomando, e quando vi, tava berrando, estrebuchando, o corpo todo surtando... Meu observador interno tava atento, ligado na parada... Enquanto o corpo profundamente colapsava de raiva. Passado o clímax, pus-me a chorar, enquanto minhas mãos naturalmente iam me acarinhando inteira. Passada a catarse, havia desaparecido a dor no braço e eu me sentia cheia de alegria e disposição!

E à noite, não conseguia dormir, agitada, pensando na experiência. Foi quando então, tive outra epifania, essa elucidativa e redentora: consegui encontrar a solução para três grandes questões que eu carregava a alguns anos, e que me vieram assim, num lampejo. Questões pessoais e existenciais vitais pra mim e que vinham me tirando a energia a muito tempo. E eu ria, ria, achando graça de não ter encontrado aquelas saídas antes. Concluí, lembrando que a busca de sentido e significado é algo sempre pessoal, que aquele surto de raiva havia desentupido alguns canais da minha mente. 

Queridos leitores(as), não concluam que devam os senhores e senhoras agora também entrar em surto catártico. Nada disso! O que eu saquei, na veia, foi o poder da mente (e do corpo também). Já sofri e briguei por me achar racional demais. De fato, eu sou mesmo, o que às vezes pode ser irritante, mas também poderosamente saudável, já que consigo, por exemplo, ter uma experiência como a narrada acima simplesmente porque a teoria do cara fez todo o sentido pra minha mente racional e eu entrei na onda, afinal "é a consciência que dá significado ao mundo".

Se criamos as doenças, e os senhores e senhoras tem todo o direito de não acreditar nessa abordagem, acreditem, temos o poder de nos transformar, seja do modo que for. Cada um vai descobrir sua forma de epifania curativa. O que importa, caríssimos, é encarar as emoções. Depois desse dia, sempre que sinto alguma dor, entro na raiva, o corpo dá uma estribuchada e a dor passa... Minha mente gostou desse caminho, acreditou nele, tirou-lhe um significado... Pra outros nada disso fará o mínimo sentido, porque somos assim, diferentes, graçasaosdeuses.

Se você sentiu vontade de chorar e não chorou, teve vontade de gritar e não gritou e sei lá mais o que, pra onde vai tudo isso não expresso? No mínimo vira tensão, dor de cabeça! Tá cheio de meleca no nariz e ao invés de botar pra fora, joga pra dentro? Meleca, coco, xixi, raiva, tem que sair, não entrar.

Mas não concluam agora que devem os senhores e senhoras entrar no congresso espancando os parlamentares, botando a raiva pra fora (dá vontade né?) nem no seu chefe, amigo, filho sei lá. Nada disso! O outro não está no jogo, pelo menos nesse momento. Importa descobrir como escoar a emoção, sem sufocá-la. Uns vão correr, outros escrever, outros ainda dançar, estribuchar feito eu... Investigaê, no mínimo você se conhece melhor.

Segue os links da entrevista de Jorge Pontual, pela Globo News, com o fisiatra John Sarno sobre o papel das emoções na criação das dores físicas, o pivô de tantas epifanias!
http://www.youtube.com/watch?v=PAF0mMFMLzQ


Fui... Estribuchar!

Namastê 
Anasha