Umbigo de Eros

Te convido para sentar no sofá vermelho de Eros... Vamos escarafunchar os Umbigos!

Hoje amanheci querendo muito me desvencilhar do que me faz mal. E pensando muito na carta da Temperança do Taro, mas também no Amor... E decidi assumir que entrei pro rol das Mulheres que amam demais (Mada) ! Antes, toda poderosa, não tava nem aí. Hoje, me jogo e sofro as conseqüências. Prefiro assim, amar muito, depois a gente vê... Mas não deixo de estar ligada nesse movimento, no estilo Dr. Jeckel: a médica em mim vigiando a louca! Desconfio que já tô passando dos limites... Consultando meu oráculo preferido temos:

sofrer (so-frer)
v.i. Sentir dor física ou moral, padecer: já sofreu muito.
V.t. Sentir, experimentar, passar: sofreu fome e sede.
Suportar, tolerar: não pôde sofrer tão grande decepção.
Admitir, permitir: não pode sofrer nenhum atraso.
Sofrer de, ter dores, ser atormentado por: sofre do coração.

Acho que sofrer faz parte do amor sim, mas há um sofrimento desnecessário, criado, por puro medo do próprio amor. Tô aqui tentando separar o joio do trigo... E questionando o meu esforço no meio disso tudo. Penso no quanto fiz esforço pra nascer... Programada para 22 de setembro, início da primavera, fui nascer 15 dias depois! Nasci de 9 meses e 15 dias, toda peluda, unhas cumpridas, literalmente passada! E ainda tive que me esforçar feito louca porque minha mãe, sem nenhuma dilatação, resolveu esperar pelo parto normal... Horas se passaram e eu lá, no esforço, afinal algo me impelia pra fora... Minha sorte foi que a bolsa rompeu, senão... Enfim, sigo fazendo esforço, mas confesso: tô exausta! Invejo a grama, as árvores, as flores, que simplesmente crescem, sem esforço!

No dicionário esforço é emprego de força, de energia; empenho; tentativa; zelo e até coragem. É exercer poderes físicos ou mentais; uma tentativa séria e honesta de fazer algo ou a quantidade de trabalho necessária para obter um resultado. Mas tem um limite!  Tô realmente buscando o meu... Só sei que o esforço não pode ser motivo de sofrimento, e sim, encarado como parte da coisa. Abrir mão de uma atitude que chateia o outro, ceder a melhor parte do bolo pro outro que naquele dia está com mais vontade do que você, segurar a língua e esperar baixar a raiva pra depois conversar, perceber que o outro tá tristinho e oferecer um colo (e desmarcar a saída com os amigos, de boa)... Pequenos sacrifícios do amor... Onde o mais difícil deles é ainda e sempre ouvir o outro, verdadeiramente. E, amorosamente, tentar compreender seu ponto de vista...

O esforço deve acontecer de ambas as partes senão dói e não é relação, é monólogo! Me vejo sempre indo em direção a... É um padrão de comportamento, especialmente a sensação de que se eu não me esforçar, se não fizer algo, nada vai acontecer... “E ninguém vai me amar!”, diria, fazendo biquinho, minha criança interior carente! Pois é, queridinha, só que as coisas vão ter que mudar. Anasha adulta vai colocar a Anashinha no colo, dar carinho, amor etc, e assim acabar com a louca do MADA! Na teoria parece tão simples... Sigo em busca daquele “tá tudo bem” dentro de mim! Afinal se eu não me esforçar, o mundo não vai desabar! E se desabar, é porque tinha mesmo que ruir!  

Enfim, alguns relacionamentos são como vício. Tem o Cocainelove, aparentemente animado é super chato, baseia-se na conversa, no blá blá blá sem fim e sem função, e no tesão cognitivo, claro! No delírio das idéias mirabolantes, conversas interessantes, teorias sem fim... e nada de sexo! Tem o Maryjuana’s love, marcha lenta, meio zen, com muita pegação, risadas, cachoeira, preliminares, sem coito (afinal cansa muito né?). Amor de final de semana, na segunda, não funciona! Tem o Extaselove, que te leva ás alturas, num êxtase físico e espiritual que te faz viajar no amor, no ser amado, nas árvores, na formiguinha... Sexo metafísico garantido! Mas como não conseguimos sustentar por muito tempo toda a graça alcançada, no primeiro problema da vida real, tudo desaba. Do êxtase ao caos! É o amor ideal, que só funciona com tudo certinho, no lugar, não sabe improvisar... E tem o AC.love parecido com o anterior, onde o sentimento de amor se esparrama para além do casal, contagiando tudo ao redor, numa mega energia... Mas, que um belo dia, se transforma numa depressão do caramba. E o relacionamento parece ter sido uma grande ilusão, e você jura que nunca mais... E troca pelo LexotanLove!

Ah, tem o Amor Ritalina, aquele que te deixa focada! Nossa, depois que você conheceu essa pessoa sua vida melhorou muito... Mas quando ela foi embora, ficou tão pior do que antes! Tem o Amor coca-cola, aquele que nos primeiros goles refresca profundamente corpo e alma, e faz aquela cosquinha gostosa, borbulhante... Mas que no dia seguinte, tá choca, quente, com gosto de remédio vencido... Típico amor dependente de geladeira! Hum, tem o Amor sapato alto, que te faz se sentir linda, gostosa, deslumbrante, poderosa... Até quebrar o salto!

Tem os amores da série Alcool Love. O primeiro é o Amor de boteco, esse bem comum no Brasil, que vem no kit com a violência doméstica. Se ouvirmos o relato de uma mulher vítima de um amor desses, fica nítida a enorme capacidade de sedução do parceiro. Quando bebe, ele bate nela, sem dó nem piedade, mas quando fica de cara se torna o mais amoroso, carinhoso, participativo e arrependido dos homens. Convence a parceira de que a culpa é da bebida, que ela é a mais amada das mulheres! Afinal, ele bate por amor! E claro, ele merece que ela lhe dê mais uma chance, afinal ele jura por Deus, pela mãe dele, pelos filhos deles, que essa foi a última vez! Tem também o WhiskyLove, que te deixa relaxada, corajosa, poderosa, inteligente, perspicaz, boa de cama, descolada, moderna... Mas, se beber demais, no dia seguinte, não deixa marcas, amnésia alcoólica total! Funciona assim: vocês passam dias maravilhosos juntos, ele diz que te ama e tarará e vocês formam o casal mais tudo a ver do planeta! Até que, do nada, ele entra numas e te apaga da vida dele por um tempo. Até a vontade de beber voltar! Enquanto isso, você espera, afinal quanto mais velho o whisky, melhor. Falasério! E ainda tem o Caipirinha’s Love, um pouco parecido com o anterior, diferindo no grau do glamour. Te deixa relaxada, escrachada, pornográfica, safada, garantindo momentos maravilhosos, se não passar da conta... Se passar, no dia seguinte, no lugar da amnésia, vem uma puta ressaca física... E moral! Afinal você, literalmente, vomitou verdades sobre o cara, além do jantar... Eca!  

Só sob tortura conto em que tipo de vício ando me enquadrando. Mas juro que preciso consultar o oráculo da língua... portuguesa uma última vez. Amor: sentimento que predispõe a desejar o bem de alguém; apego; afecto; inclinação; atracção; paixão... Paixão? Penso que ela pode aparecer dentro do amor mas o amor não aparece na paixão... Será? Bom, nosso guru Dic (dicionário) diz que paixão é sentimento intenso e geralmente violento (de afeto, ódio, alegria, etc) que dificulta o exercício de uma lógica imparcial; sofrimento intenso. E vem do latim passiōne, «sofrimento»! Taí, não há saída! Amor, paixão, sofrimento, tudo junto no mesmo balaio! Guenta coração!

“Quando amar é sofrer... você provavelmente está amando o homem
errado, da maneira errada. Alguém emocionalmente fechado, viciado em
trabalho, bebida ou em outras mulheres... Alguém que não pode retribuir
seu amor! Mesmo assim, você insiste, se sacrifica, anula sua
personalidade, continua tentando...”
Do livro “Mulheres que amam demais” de Robin Norwood

Se você se identificou com o texto acima, siga “Os 12 Passos do Mada”, conforme link: http://www.grupomada.com.br/janela_literatura.php?lit=3


Mas se não adiantar, o link abaixo apresenta outra saída: uma mulher cheia de auto-estima nem ai pro que os outros pensam. Veja até o fim. Auto-estima é tudo nessa vida. E vamos correr atrás da nossa! 
Namastê

Anasha – setembro 2011