Umbigo de Eros

Te convido para sentar no sofá vermelho de Eros... Vamos escarafunchar os Umbigos!

12.3.10

PESQUISA

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Umbigo de Eros – criação em campo mítico-pessoal



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Prática terapêutico-expressiva com bases na linguagem teatral (somada a outras artes) e na Psicologia Junguiana a partir da lida de conteúdos inconscientes. A exploração criativa de temas pessoais conduz ao Umbigo (centro) e ao Eros (amor) que lá habita, religando-nos ao Self (divindade em nós).
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A pesquisa Umbigo de Eros teve início em 1994 investigando a característica terapêutica da linguagem teatral, sobretudo a partir da criação cênica em campo mítico pessoal. Até 2003, a pesquisa baseou-se em três perspectivas do teatro:

1. Jogo

Fundamento básico do teatro, saber jogar é essencial para a vida.

2. Ritual

Ato simbólico que celebra, reverencia ou comemora um evento ou processo de vida do indivíduo/ comunidade, fortalecendo suaa harmonia com os ritmos da (sua) natureza.

3. Narrativa/mito

Descoberta e elaboração da história que revela o conflito

No contexto mítico-pessoal o atuante é um “contador de histórias autobiográficas”, cujo caráter pessoal não se denuncia, já que o mito, ancorado na metáfora, mantém a privacidade da origem da história. Além disso, “o mito é o degrau intermediário inevitável entre o inconsciente e o consciente1”, e, através de sua linguagem imagética, onírica, podemos compreender o que a mente lógica não é capaz de assimilar. Ao mesmo tempo, o ato humano de narrar uma história com seus múltiplos sentidos, pressupõe uma intenção clara de compartilhar como necessidade e condição sine qua non da ação.

E este processo teatral de contar no presente, diante de testemunhas coniventes, uma cena vivida no passado, já oferece em si mesmo uma alternativa, ao permitir - e exigir - que o protagonista se observe a si mesmo em ação, pois o seu próprio desejo de mostrar obriga-o a ver e a ver-se2.

Em 2003, a partir de Especialização em Psicologia Junguiana, a pesquisa se redimensiona com a inclusão de sua quarta perspectiva:

4. Alquimia interior

Fundamentada na imagética do inconsciente, essa perspectiva traz a investigação de meios de acesso ao inconsciente, onde o exercício da criatividade ganha perspectiva transdisciplinar reunindo teatro, dança, artes plásticas, mitologia, espiritualidade, metafísica... Jung percebeu o processo psicoterápico como simbolicamente análogo ao processo de transformação alquímica. Na medida em que a pesquisa criativa em campo mítico pessoal se apresenta como um processo terapêutico-expressivo, há aí também muitas analogias possíveis.
“O praticante (da alquimia) tinha certas vivências psíquicas enquanto realizava as experiências químicas no laboratório (...) Como se tratava de projeções, naturalmente ele não sabia, no nível da consciência, que a vivência nada tinha a ver com a matéria propriamente dita (...). O alquimista vivenciava sua projeção como uma propriedade da matéria; mas o que vivenciava na realidade era o seu inconsciente3.”
Lançando os olhos para a criação cênica em campo pessoal, temos um atuante que, no laboratório teatral, mergulha em seu interior, deixando emergirem, a partir do vazio da experiência, imagens (táteis, olfativas, gustativas, sensórias, oníricas) vindas das camadas mais profundas da psique. A imagem representa uma essência em si mesma, cuja função principal é de mobilizar e estimular o atuante, tanto em relação ao seu processo expressivo quanto ao seu processo de crescimento individual, já que tais imagens encerram um Sentido. Utilizando todo seu corpo expressivo, ele contracena/dialoga com essas imagens ou arquétipos, resgatando-os em sua completude.
Reafirmo que a tarefa mais nobre de toda a educação (do adulto) é a de transpor para a consciência o arquétipo da imagem de Deus (...). Se os valores supremos não estivessem depositados na alma (...) a psicologia não me interessaria absolutamente, pois nesse caso, a alma não passaria de um miserável vapor4.
Jung

Hoje a pesquisa tem aplicação na criação teatral e no contexto terapêutico. Para mais informações acesse a caixa “Teatro” ou “Terapia”


Anasha Vanessa
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1C.G.JUNG, Memórias, sonhos e reflexões, p.270
2Augusto BOAL, O arco-íris do desejo -Método Boal de Teatro e Terapia, p.39.
3C.G. JUNG, Psicologia e Alquimia, p. 256
4C.G.JUNG, Psicologia e Alquimia, p.25